{"id":91,"date":"2011-07-18T21:29:30","date_gmt":"2011-07-18T21:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontramandaqui.com.br\/noticias\/?p=91"},"modified":"2013-08-13T18:01:12","modified_gmt":"2013-08-13T18:01:12","slug":"pacientes-sofrem-com-falta-de-estrutura-no-hospital-do-mandaqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontramandaqui.com.br\/noticias\/pacientes-sofrem-com-falta-de-estrutura-no-hospital-do-mandaqui\/","title":{"rendered":"Pacientes sofrem com falta de estrutura no Hospital do Mandaqui"},"content":{"rendered":"<p>Os pacientes do Hospital do Mandaqui, refer\u00eancia no atendimento da Zona Norte de S\u00e3o Paulo, sofrem com a falta de estrutura para o atendimento. Na emerg\u00eancia, s\u00e3o poucos m\u00e9dicos e enfermeiros. Al\u00e9m disso, os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios falam que faltam equipamentos b\u00e1sicos de higiene e que conseguir atendimento \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Um documento assinado pela diretora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que cuida dos rec\u00e9m-nascidos reconhece que h\u00e1 no setor a presen\u00e7a de uma perigosa bact\u00e9ria, resistente aos antibi\u00f3ticos comuns.<\/p>\n<p>Uma equipe de reportagem do SPTV registrou imagens do hospital com uma c\u00e2mera escondida no dia 7 de julho. As imagens mostram os corredores tomados por macas. S\u00e3o pelo menos dez pacientes que, sem lugar nas enfermarias lotadas, s\u00e3o atendidos ao longo do hospital. Na emerg\u00eancia do conjunto hospitalar sobram pacientes e falta quem os atenda.<\/p>\n<p>Sem saber que est\u00e1 sendo gravada, a recepcionista confirma que s\u00f3 havia duas m\u00e9dicas para atender. \u201c\u00c9 s\u00f3 retorno. Quem chegar agora, se a emerg\u00eancia n\u00e3o atender, vai pra outro lugar. N\u00e3o tem m\u00e9dico\u201d. Quem consegue ser atendido enfrenta a falta de itens b\u00e1sicos. \u201cN\u00e3o tem material. Tudo o que voc\u00ea pede n\u00e3o tem\u201d, disse a enfermeira-chefe do plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica cir\u00fargica, cada t\u00e9cnica de enfermagem \u00e9 respons\u00e1vel por oito pacientes, mas faltam materiais para trabalhar. Na UTI adulta, cada auxiliar de enfermagem cuida de tr\u00eas pacientes e s\u00f3 o b\u00e1sico \u00e9 feito. \u201cPrioriza o que d\u00e1, o mais importante que \u00e9 a medica\u00e7\u00e3o e aspira\u00e7\u00e3o\u201d, conta um enfermeiro.<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios do hospital dizem que as placas indicam que dois pacientes est\u00e3o com uma bact\u00e9ria resistente. O presidente da Sociedade de Infectologia, Marcos Antonio Cyrillo, explica que, nesse caso, o recomend\u00e1vel \u00e9 que o doente fique isolado. \u201c\u00c9 a bact\u00e9ria resistente, ela \u00e9 resistente a v\u00e1rios antimicrobianos. Enquanto que uma bact\u00e9ria comum, aquela que n\u00f3s temos no nosso organismo normalmente, ela deve ser sens\u00edvel a v\u00e1rios antibi\u00f3ticos.&#8221;<\/p>\n<p>Quem trabalha no Mandaqui tamb\u00e9m diz que rec\u00e9m-nascidos internados na UTI neonatal est\u00e3o com a bact\u00e9ria multirresistente. No dia que as imagens foram feitas, o ber\u00e7o de um menino que n\u00e3o tinha bact\u00e9ria estava entre os de duas crian\u00e7as contaminadas. Ao contr\u00e1rio do que recomenda o especialista.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal \u00e9 que voc\u00ea isole, coloque um quarto s\u00f3 pra essa pessoa, uma pessoa tomando conta dela, os profissionais da sa\u00fade somente tratando dessa pessoa e que usem os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual como m\u00e1scara, \u00f3culos, avental, avental descart\u00e1vel pra poder tomar conta dessa pessoa e n\u00e3o transmitir essa bact\u00e9ria dentro da unidade ou dentro do hospital\u201d, explica Cyrillo.<\/p>\n<p>O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de estrutura. Os documentos s\u00e3o confirmados por um documento do pr\u00f3prio hospital. Um memorando assinado pela diretora do n\u00facleo de neonatologia comunica a situa\u00e7\u00e3o de risco pelo quadro de infec\u00e7\u00e3o com a bact\u00e9ria.<\/p>\n<p>&#8220;Comunico situa\u00e7\u00e3o de risco pelo quadro de infec\u00e7\u00e3o em UTI neonatal, com bact\u00e9ria multirresistente, aus\u00eancia de aparelhos de ventila\u00e7\u00e3o e box para novas admiss\u00f5es, al\u00e9m de super lota\u00e7\u00e3o em ber\u00e7\u00e1rio e alojamento conjunto. Portanto, diante desse quadro, solicito provid\u00eancias para evitar a chegada de gestantes ao servi\u00e7o (SAMU, Rede de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00e3e Paulistana) e transfer\u00eancia das mesmas.&#8221;<\/p>\n<p>O documento foi enviado no dia 5 de julho. Dois dias antes, no dia 3 de julho, um beb\u00ea que estava internado na UTI morreu. O documento de nascimento e \u00f3bito, dado pelo hospital \u00e0 m\u00e3e, indica entre as causa choque s\u00e9ptico e septicemia, ou seja, infec\u00e7\u00e3o generalizada. No dia seguinte, 6 de julho, a UTI deixou de receber novas crian\u00e7as. No dia 7, mais um rec\u00e9m-nascido morreu.<\/p>\n<p><strong>Falta de informa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA m\u00e3e do beb\u00ea que morreu no dia 3 de julho ainda aguardava nesta segunda-feira (18) explica\u00e7\u00f5es para o que aconteceu com o filho. \u201cNingu\u00e9m falou: ele morreu disso, seu filho morreu disso aqui\u201d. A dona de casa precisou fazer uma ces\u00e1rea de emerg\u00eancia aos sete meses de gesta\u00e7\u00e3o. O beb\u00ea foi direto para a UTI neonatal, o que \u00e9 comum para prematuros.<\/p>\n<p>\u201cEle tava come\u00e7ando a tomar leite. Do nada acabou\u201d. No dia 4 de julho, a m\u00e3e chegou para passar a tarde com o filho. S\u00f3 ent\u00e3o soube que o beb\u00ea havia morrido, na noite anterior. \u201cFoi \u00e0s 23h35. Eu fiquei sabendo no outro dia. Com tr\u00eas telefones de contato \u00e9 imposs\u00edvel. A\u00ed mandaram eu assinar um papel falando que eles tinham ligado. Eu risquei e falei: n\u00e3o vou assinar isso.\u201d<\/p>\n<p>A m\u00e3e disse que os m\u00e9dicos afirmaram que o filho pegou uma bact\u00e9ria no hospital. \u201cFoi de dentro do hospital. S\u00f3 usavam essa palavra: bact\u00e9ria. Eu perguntava o nome. A gente n\u00e3o \u00e9 m\u00e9dica, ent\u00e3o tanto faz para eles explicar o que \u00e9 uma bact\u00e9ria, o que n\u00e3o \u00e9.\u201d<\/p>\n<p>Para ela, os cuidados com o controle da infec\u00e7\u00e3o hospitalar n\u00e3o foram adequados. \u201cOs erros das enfermeiras era demais. Como que voc\u00ea toca num nen\u00e9m que tem bact\u00e9ria e voc\u00ea vai tocar em outro nen\u00e9m? A luva que eles usavam eles n\u00e3o tiravam para mexer em outras crian\u00e7as. Em nenhum momento ele ficou no caix\u00e3o. Ele ficou no meu colo o tempo inteiro.\u201d<\/p>\n<p><strong>Respostas<\/strong><br \/>\nEm nota, a Secretaria Estadual de Sa\u00fade informou nesta segunda-feira que \u201cn\u00e3o houve morte de nenhum paciente provocada pela bact\u00e9ria KPC\u201d, a bact\u00e9ria multirresistente, no Hospital do Mandaqui. Segundo a pasta, Isso foi comprovado em exames laboratoriais. Apenas um caso foi detectado e o paciente, tratado.<\/p>\n<p>O hospital diz que a identifica\u00e7\u00e3o de leitos com tarjas pretas \u00e9 uma medida padr\u00e3o. Afirma que est\u00e1 finalizando uma ampla reforma que vai modernizar o local e abrir 93 leitos e que n\u00e3o h\u00e1 falta de luvas, j\u00e1 que foram disponibilizados em julho mais de 136 mil pares.<\/p>\n<p>Sobre a falta do aviso \u00e0 m\u00e3e que perdeu a crian\u00e7a, o hospital afirma que foram feitas diversas tentativas de contato com a fam\u00edlia sem sucesso e que, por isso, o an\u00fancio s\u00f3 pode ser feito pessoalmente.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pacientes do Hospital do Mandaqui, refer\u00eancia no atendimento da Zona Norte de S\u00e3o Paulo, sofrem com a falta de estrutura para o atendimento. Na emerg\u00eancia, s\u00e3o poucos m\u00e9dicos e enfermeiros. Al\u00e9m disso, os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios falam que faltam equipamentos b\u00e1sicos de higiene e que conseguir atendimento \u00e9 muito dif\u00edcil. 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